Andréa Uchôa Biagi

Terapia cognitivo-comportamental – TCC

A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem psicoterapêutica baseada no modelo cognitivo desenvolvido pelo Dr. Aaron Beck nas décadas de 1960 e 1970. Os primeiros estudos publicados na época comprovaram que esse é um método efetivo para vários problemas psicológicos, transtornos mentais e condições médicas. Desde sua elaboração, a abordagem tem sido amplamente testada e comprovada cientificamente.

Atualmente, é considerada o "padrão-ouro da psicoterapia" para o tratamento do sofrimento psíquico, sendo um processo baseado em evidências científicas que valoriza a experiência do terapeuta e as características do paciente, como preferências, valores e cultura.

Para o entendimento do funcionamento humano, a terapia cognitivo-comportamental descreve um modelo cognitivo no qual o pensamento influencia a emoção e o comportamento, postulando que todos estão interligados.

Algumas premissas orientam essa abordagem, partindo do princípio de que não é o fato em si que provoca sofrimento psíquico, mas sim como o ser humano o interpreta. Essa interpretação pode gerar pensamentos disfuncionais e avaliações cognitivas irreais, o que afeta negativamente tanto o estado afetivo do indivíduo quanto sua atitude, gerando sofrimento psicológico. A abordagem postula que existem três níveis de cognição: crenças nucleares, crenças intermediárias e pensamentos automáticos.

As crenças nucleares são profundas, aprendidas na infância e funcionam como uma lente através da qual o ser humano percebe a si mesmo, as pessoas e o mundo. Já as crenças intermediárias são regras, suposições e orientações com atitudes rígidas que desencadeiam os pensamentos automáticos. Esses pensamentos podem ser distorcidos, envolvendo uma interpretação rápida e involuntária que surge diante de uma situação, situando-se entre a percepção desta e as emoções geradas.

Na terapia cognitivo-comportamental, as emoções são respostas naturais à maneira como a pessoa interpreta o fato. Elas são automáticas, fazem parte da sobrevivência humana e sinalizam algo. Para exemplificar: o medo indica perigo; a tristeza, perda; e a raiva, injustiça ou um limite violado. A intensidade e a desproporção das emoções podem provocar desregulação emocional, o que gera intenso sofrimento psicológico. Um dos objetivos dessa abordagem é o entendimento da função de cada emoção na tríade pensamento, emoção e comportamento, buscando-se estratégias que levem à modulação emocional.

Embora seja um modelo psicoterapêutico focado no problema e no presente, ele tem como base o passado. Assim, faz-se necessário resgatar a história da pessoa, objetivando o entendimento das origens das crenças, padrões e estratégias comportamentais mal-adaptativas que moldam sua vida atual.

A TCC tem como objetivo a reestruturação cognitiva, a regulação emocional e a aquisição de comportamentos adaptativos, buscando o bem-estar emocional e a melhora na qualidade de vida com a utilização de estratégias funcionais para lidar com os desafios da vida.

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